TRAUMA
24/05/2011 13:30O TRAUMA
" 1. O trauma é a principal causa de óbito nas primeiras 4 décadas de vida e representa
um enorme e crescente desafio ao País em termos sociais e econômicos. Os acidentes e as
violências no Brasil configuram um problema de saúde pública de grande magnitude e
transcendência, que tem provocado forte impacto na morbidade e na mortalidade da
população.
Ao lado das 150.000 mortes violentas por ano, existe uma legião de centenas de
milhares de seqüelados definitivos entre os quais se situam paraplégicos, amputados, cegos e
pessoas socialmente marginalizadas. Em recente estudo foi verificado que o atendimento de
cada vítima de trauma por acidente por veículo automotor, em regiões urbanas do Brasil, custa
em média R$ 100.000. Tais custos se referem às vítimas graves. Atualmente se investe per
capita, no Brasil. aproximadamente R$ 300 anuais. Cotejando esses dois números, temos o
impacto real do trauma nas contas da saúde pública.
Estima-se que o atendimento ao trauma possa atingir R$ 9.000.000.000,00 – nove
bilhões de reais anuais. Neste valor se incluem o tratamento pré-hospitalar, hospitalar, as
seqüelas, as despesas indiretas, as perdas de anos de vida e de produtividade, a reabilitação,
os custos das perdas materiais e etc. Só há uma solução definitiva: a prevenção. Para que a
prevenção se torne um instrumento efetivo, muitas medidas de grande impacto social serão
necessárias permanentemente e muitos anos passarão antes que se alcancem resultados
consistentes.
Estamos lidando com um problema de saúde pública e desta forma devemos enfrentar
e propor soluções. Cientes da complexidade do tema e da diversidade de variáveis envolvidas
para o enfrentamento da doença TRAUMA, as sociedades médicas reuniram-se, debateram e
estão propondo um aprofundamento da discussão,oferecendo uma participação ativa, para que
caminhemos em uma direção profícua com benefícios para a sociedade.
O sistema de atendimento integral ao traumatizado que propomos é resultado do
diagnóstico médico da realidade social, econômica e política das cidades onde vivemos e
atuamos. Temos que debater com as cidades e as comunidades, reformular, propor
perspectivas e soluções para a melhoria do atendimento médico ao trauma que tem como
objetivo a preservação e a qualidade de vida. Queremos que a prevenção do trauma sirva
efetivamente para o fortalecimento da cidadania através de uma saúde o mais ampla possível.
Através de uma ação pública preventiva e educativa buscaremos a inclusão política de todos os
setores sociais e médicos envolvidos no atendimento às vítimas da violência, esta tragédia de
mortes evitáveis que vivemos atualmente.
Um novo enfoque na abordagem atual sobre o surto de violência que acomete o país só
pode ser alcançado e viabilizado mediante aperfeiçoamentos significativos na concepção que
temos de violência. O direito à vida tem de ser visto como o maior dos direitos. É fundamental
que o poder público considere as particularidades de cada um destes âmbitos na fundação de
uma política nacional de redução da morbi-mortalidade no trauma."
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